Conhecimento

Tecnologia e dados na base da restauração ecológica em larga escala

Publicado em :

28/4/2026

Projetos de restauração florestal em larga escala começam muito antes do início do plantio e demandam um vasto conjunto de informações, decisões e ações que se prolongam por décadas. Por isso, o planejamento detalhado, o monitoramento contínuo e a gestão de informações estratégicas são fundamentais para orientar cada passo do processo.

Na Biomas, sistemas digitais, indicadores operacionais e ferramentas tecnológicas de monitoramento (drones) ajudam a organizar os dados produzidos pelas equipes e a acompanhar o desenvolvimento das operações ao longo do tempo. 

É nesse contexto que atua Carolina Soldera, nossa Consultora de Planejamento Florestal. Seu trabalho consiste em organizar e estruturar os insumos produzidos pelas diferentes áreas operacionais envolvidas no planejamento e na implantação dos projetos.

Carolina explica que um dos diferenciais do nosso negócio é a grande quantidade de informações com as quais trabalhamos. "Os dados coletados ajudam a orientar o planejamento e a tomada de decisões estratégicas”, afirma.

Nosso sistema de gestão florestal organiza as operações e direciona cada etapa da restauração

O planejamento dos projetos envolve a organização das atividades a serem realizadas em cada área e a estruturação das informações necessárias para orientar a operação, desde o período pré-plantio até a manutenção da floresta ao longo dos anos.

Entre essas atividades estão a limpeza do solo, a organização da logística, o controle de pragas e o plantio propriamente dito, além das etapas de manutenção e monitoramento que sustentam o desenvolvimento saudável da floresta. Para estruturar esse processo, utilizamos um sistema de gestão florestal desenvolvido pela INFLOR, que centraliza os dados da operação e reúne registros das áreas observadas, atividades executadas, insumos utilizados e resultados obtidos em campo.

“Hoje, o sistema de gestão funciona como os nossos olhos na operação. Todas as áreas e atividades estão registradas nele”, afirma Carolina. Com base nesses registros, o sistema orienta a execução das tarefas em campo, indicando quais operações devem ocorrer em cada área, quais recursos serão utilizados e em que momento cada etapa deve acontecer.

Registros diários das atividades em campo alimentam indicadores que permitem avaliar avanço, qualidade e custos da operação

O sistema também permite acompanhar a execução das atividades e avaliar sua qualidade. Nosso time em campo registra diariamente o que foi realizado, informando área trabalhada, insumos utilizados e resultados. Essas informações alimentam uma base de dados que é revisada e consolidada em reuniões técnicas.

As análises se concentram em três dimensões principais:

  1. Avanço físico das operações e cumprimento do cronograma;
  2. Qualidade das atividades executadas;
  3. Custos da operação.

Cada ação realizada em campo possui critérios técnicos específicos. No monitoramento das áreas em restauração, por exemplo, observam-se aspectos como densidade  das mudas, espaçamento entre linhas e taxas de sobrevivência. Quando a mortalidade se mostra acima do padrão, a equipe investiga as causas e ajusta os procedimentos.

A perda de mudas pode estar associada a questões climáticas, a ataques de formigas, à competição com outras plantas ou até a fatores externos às áreas. “A gente não olha só se a muda morreu. Também buscamos entender por que ela morreu, pois isso ajuda a ajustar o manejo nos plantios seguintes”, destaca Carolina.

O uso de drones amplia a capacidade de monitoramento e permite observar o desenvolvimento da floresta em escala territorial

Alguns meses depois do plantio, iniciamos o monitoramento com o uso de drones. Essas aeronaves registram imagens que ajudam a avaliar o desenvolvimento da floresta e as diferenças entre os trechos restaurados, permitindo observar padrões de crescimento, acompanhar o avanço da vegetação e identificar eventuais problemas.

No Projeto Muçununga, que está restaurando mais de 1.200 hectares de Mata Atlântica no sul da Bahia, o uso de drones tem se mostrado especialmente útil devido à dispersão das áreas. “O drone consegue percorrer todo o talhão, oferece uma visão espacial do desenvolvimento da floresta e os dados coletados ajudam a orientar ajustes técnicos”, explica Carolina.

Os aprendizados do Projeto Muçununga contribuem para consolidar métodos e processos que poderão ser replicados em outros projetos

O processo de aprendizagem do Projeto Muçununga é especialmente rico porque cada área apresenta características próprias. Em um mesmo polígono, podem existir trechos de pastagem, fragmentos florestais e corpos d’água. 

Isso exige planejamento detalhado e soluções específicas para cada situação, já que “cada talhão acaba sendo quase um pequeno projeto dentro do projeto maior”, conforme observa nossa Consultora de Planejamento Florestal.

Ao mesmo tempo em que a iniciativa avança, estruturamos processos que poderão ser replicados em novas operações. O sistema de gestão e os fluxos de análise formam uma robusta base operacional aplicável a diferentes áreas. “Nós já entendemos como organizar o planejamento, acompanhar os dados e estruturar os indicadores. Esse aprendizado vai ajudar nos próximos projetos”, complementa.

O monitoramento de longo prazo combina tecnologia, dados e análise para garantir a saúde e a sustentabilidade das florestas restauradas

Esse conjunto de ferramentas também é essencial para acompanhar o desenvolvimento das florestas no longo prazo. Projetos de restauração têm horizontes de décadas, e o monitoramento contínuo é parte central desse processo.

Tecnologias como drones e imagens de satélite são capazes de acompanhar o desenvolvimento da vegetação, reconhecer mudanças na paisagem e ajudar a garantir que as florestas restauradas se mantenham saudáveis. “A tecnologia nos ajuda a entender se os projetos estão indo bem e a identificar rapidamente qualquer desvio do que era esperado”, afirma Carolina.

O plantio é apenas a face mais visível da restauração. Por trás dele existe uma estrutura de planejamento e análise que sustenta o desenvolvimento da floresta ao longo dos anos. É essa combinação entre conhecimento técnico, dados e tecnologia que permite transformar áreas degradadas em florestas resilientes e duradouras.